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domingo, 5 de julho de 2020

Um pedaço de mim

Um amor foi mandando para um outro hemisfério. 
Em um barquinho de papel. 
Que vai lentamente e se perde no horizonte.

Estamos em uma nova estação. 
Os ventos são gélidos 
Deixam os olhos petrificados. 
É preciso deixar ir. 

A estação vai embora
E leva esse sentimento. 
É uma dor suave
Sangra, e é feliz.

É feliz, pois sinto ventos de esperança
Correntes frias que sopram o corpo
Sopram forte 
Como se fossem me levar para um novo reino, cheio de luz. 

Mas, para quem vive de hipérboles
Todo amor é o único 
E deixar o amor da sua vida
Não é tão fácil assim. 

Fios de cinzas

É um absurdo completo você me deixar assim 
Você ir embora e nem olhar pra trás 
Eu deixei você ir porque seria o melhor pra você
Mas assim? 

Simplesmente me apagou?! 
Apagou todos esses meses de vida conjunta?! 
Só porque eu não poderia te dar o amor que você queria naquela hora?! 
Só porque eu precisava de um tempo pra mim?! 

Como é possível apagar uma pessoa da sua cabeça assim?!
E dissestes que tanto me tinha afeto...
E dissestes tantas coisas. 

Agora eu te vejo em outras pessoas
Em cenas de filmes
Em comidas
Doces

Odeio os doces
Odeio cabelos amarelos
Odeio inteligência
Odeio poesia

Sua insensibilidade...
Mas eu te deixei ir 
Não pude dar o que você queria naquele momento
Te deixei ir 

Eu quero tacar fogo em você!

Um socorro

Eu tinha uma estaca enfiada no peito, que me ardia e me tirava a consciência.
Sem saber pra onde ir, fui até você e supliquei para que a arrancasse de lá. 

Oh, você estacou mais duas e meu coração, agora dilacerado, não consegue nem sequer respirar. 

Perco a força. 
Choro. 
Fico com raiva. 
Choro. 
Acabo desistindo de chorar. 
Acabou o fôlego. 

Com o que resta, parto para a floresta na esperança de encontrar qualquer coisa. Ouço um barulho...
É uma cachoeira. 
Não posso adentrar naquelas águas, mas cá da beira eu escuto aquele som, que soa como uma terapia. 
Eu me acalmo. 

Por vezes me lembro de você e fico triste e com raiva. Mas passa. 
Apenas água... Cachoeira... 
Tudo vai ficando mais lento
Até que eu apago. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Dizer

Quando eu digo que eu quero, 
não é agora, é sempre. 
Quando eu digo que eu gosto,
é do gosto e do que está por vir.

Quando eu digo, amo 
Não digo do sentimento direcionado, 
Digo da sensação que desperta em mim. 

Quando eu digo que
Gosto do seu gosto 
Quero dizer que quero 
O que eu amo.

domingo, 26 de abril de 2015

Transição

No ventre dela tinha amor, 
mas passou um tempo e ela se sufocou, 
sentiu um aperto. 
Já era dor. 

O sol veio e a chuva secou. 
No seu semblante não tinha mais dor. 
Se libertou e desabrochou. 
Já era amor.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Justificativa de existir


Só estou em busca do que me completava
Só estou em busca do que sempre estive
Do que as vezes tive
E que sempre quis ter

Agora não tenho nada

Só tenho saudades
Resquícios mortais
Impulsos escondidos a sete camadas

Desconfiguração quanto humana

Quanto quem ama
Quanto quem sente 
Quem vive

Estou em busca do que há por baixo desse pano preto

Dessas palavras de ódio
Dessas ações de desgosto
Dessa cara de desprezo

Em busca do gosto da paixão

Do cheiro da alegria
Do som da alma
Do verbo universal.